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O choro de um bebê: o que ele quer dizer?

Jul 2026 Isabel Valli

Falar sobre o choro de um bebê ou mesmo de uma criança pequena é falar sobre comunicação.

Por que um bebê chora? Se ele pudesse usar as próprias palavras, talvez dissesse: "tenho dor, tenho fome, estou com raiva, tenho medo, estou frustrado, quero experimentar meu potencial sozinho!" — e a lista continua.

Os cuidadores principais dos bebês, ou mesmo aqueles que têm um convívio diário com eles, podem aos poucos entender do que se trata aquele choro. Às vezes não conseguimos entender, e isso se torna um tormento e até um desespero, principalmente para quem está vivendo isso pela primeira vez. E claro, é difícil manter a calma. O choro de um bebê pode tocar em lugares onde os adultos não conseguem nem localizar, muito menos nomear.

Uma cólica, um dente que nasce e, mais tarde, uma frustração por não ter algo que deseja. São muitas as possibilidades, mas se você está afinado e atento, poderá entender o que seu bebê necessita e responder da maneira mais adequada, respeitosa e cuidadosa. E sim, até mais ou menos 1 ano de vida, o bebê é regido por necessidades, sejam elas físicas ou emocionais.

Um mito a desmistificar

Um ponto importante: bebês que não choram não são "melhores" do que bebês que choram. Será? Seria o mesmo que dizer que ter um bebê ou uma criança pequena que não se comunica é melhor do que aquele que o faz. O que significa isso?

Um bebê que não chora — portanto, não se comunica — é um bebê que perdeu as esperanças no ambiente: não acredita que alguém pode atender suas necessidades, acolher, afagar, amparar e cuidar. É um bebê submisso, fadado às imposições do ambiente. Será que é isso que queremos para nossas crianças e para nossa sociedade de modo mais amplo?

Faço aqui o convite de pensar o que o choro do bebê ou da sua criança quer dizer — e como isso toca em você, cuidador, cuidadora, pai, mãe. Vamos juntos?

De qualquer modo, os bebês que raramente choram não estão, necessariamente, desenvolvendo-se melhor, pelo fato de não chorarem, do que os outros bebês que choram como desalmados; pessoalmente, se tivesse de escolher entre os dois extremos, eu apostaria no bebê chorão, que acabou por dar-se conta da sua capacidade total para fazer ruído, desde que o choro não tivesse sido consentido com excessiva frequência para converter-se em desesperada aflição. (p.65-66)

D. W. Winnicott, 1945

Referência: D. W. Winnicott (1945), A criança e seu mundo. Capítulo: "Por que choram os bebês?"

O choro do seu bebê tem tocado em algum lugar difícil? Podemos pensar nisso juntos.

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